Muitas coisas acontecem em nossas vidas, no decorrer da nossa existência, que ignoramos, deixamos de lado, ou não damos o valor merecido, não nos aprofundamos para entender o seu real significado. Muitas coisas nos tocam profundamente, sabemos e passamos por cima. Claro que isso acontece comigo, com vocês.
Aí vem a Quaresma e nos leva, empurra para dentro, para os recantos mais fechados do nosso coração, o lado “dark”, aquele que muitas e muitas vezes sabemos existir, mas fugimos dele, não o assumimos. É difícil admitir que carregamos um lado sombrio, precisando de um cuidado especial.
Estou retomando olhares mais compassivos, mais luminosos para os que caminham comigo. Comecei perguntando-me: será que vejo o meu próximo com os olhos de Jesus? E como sou vista? Nem sempre gostamos de algumas pessoas, ou seja, não nos simpatizamos, mas devemos amá-las como Ele. Às vezes, é tão difícil. Um trabalho interior que mexe com as nossas estruturas, com o lado fechado, turrão. Quanta soberba!
Há um pequeno passo, porém nada fácil, a ser dado: pedir a Deus a graça de conceder o perdão a quem nos machucou, ofendeu. Se feri, com certeza o fiz, que eu dê o passo em direção à pessoa e peça perdão. É tempo de reconstruir as pontes de reconciliação.
Estou examinando aqui a minha consciência, e isso é muito difícil diante do conhecimento da verdade, não é fácil de admitir culpas, erros. Ergui muralhas, fechei meu coração muitas vezes para irmãos... e se existem muros, como posso caminhar abertamente, fraternalmente na missão a mim confiada pelo Redentor?
Como na Natureza, vivenciamos o Outono da Igreja, a Quaresma, estação marcada pela renovação, momento do desvencilhar-se, do libertar e do deixar cair por terra o “homem velho”, a “mulher velha”, para dar lugar a “homens e mulheres novos”. E eu nesse contexto? Estou tomando coragem para abandonar as minhas “folhas velhas, amareladas”, podar os “galhos secos” que permanecem em meu coração, já sem vida. Fácil? Não, nada nada.
Opto pela poda do orgulho, da pequenez, da falta de compreensão com o irmão, da insegurança, de outros “galhos” que insistem em permanecer presos ao meu coração.
Creio que esta Quaresma gerará em meu coração sentimentos de alegria, de bem estar, de compaixão e amor por poder fazer algo de bom a alguém, por estender minhas mãos ao irmão abandonado, afastado do meu convívio. Basta que eu seja uma discípula-missionária atenta aos ensinamentos de Jesus, observadora também da sábia Natureza. Estarei pronta então? Não. Sou caminhante, aprendiz e em busca da minha conversão.
Que o Espírito Santo nos torne pessoas mais sábias, mais acolhedoras e confiantes, plenas do amor de Deus, pela Graça que vem do Céu.
Bendita e Santa Quaresma a todos!
Nair Pimenta